Wednesday, January 14, 2009

Rien de Rien

O importante é não se arrepender do que se fez...

Caminhos tortos...
Escolhas insensatas...
Personalidades escondidas...
Vozes que não cantam....
Mãos que não pintam...
Bocas que não beijam...
Corpos que não dançam...
Olhos que não vêem...
Almas que não interpretam...
Rostos que não se mostram...
Vida que se enterra...

E de repente...

Os olhos se encotram...
A boca decide cantar.... e beijar...
Os corpos começam a bailar...
As mãos não param de digitar... e de pintar...
A cabeça não para de raciocinar...
A vida renasce...
O sol brilha...
O amanhã chega...
E o importante....
É não se arrepender do que se fez...


Rien de Rien - Andrea Annunziata - Janeiro de 2009

Tuesday, January 13, 2009

Manifesto de Gandhi sobre os judeus na Palestina

Testemunho antigo, porém de extremo valor frente aos ataques atuais.


M. K. Gandhi
Harijan, 26 de novembro de 1938

In M.K.Gandhi, My Non-Violence
Editado por Sailesh K. Bandopadhaya
Navajivan Publishing House
Ahmedabad, 1960

Recebi muitas cartas solicitando a minha opinião sobre a questão judaico-palestina e sobre a perseguição aos judeus na Alemanha. Não é sem hesitação que ouso expor o meu ponto-de-vista.
Na Alemanha as minhas simpatias estão todas com os judeus. Eu os conheci intimamente na África do Sul. Alguns deles se tornaram grandes amigos. Através destes amigos aprendi muito sobre as perseguições que sofreram. Eles têm sido os "intocáveis" do cristianismo; há um paralelo entre eles, e os "intocáveis" dos hindus. Sanções religiosas foram invocadas nos dois casos para justificar o tratamento dispensado a eles. Afora as amizades, há a mais universal razão para a minha simpatia pelos judeus. No entanto, a minha simpatia não me cega para a necessidade de Justiça.
O pedido por um lar nacional para os judeus não me convence.
Por quê eles não fazem, como qualquer outro dos povos do planeta, que vivem no país onde nasceram e fizeram dele o seu lar?
A Palestina pertence aos palestinos, da mesma forma que a Inglaterra pertence aos ingleses, ou a França aos franceses.
É errado e desumano impor os judeus aos árabes. O que está acontecendo na Palestina não é justificável por nenhuma moralidade ou código de ética. Os mandatos não têm valor. Certamente, seria um crime contra a humanidade reduzir o orgulho árabe para que a Palestina fosse entregue aos judeus parcialmente ou totalmente como o lar nacional judaico.
O caminho mais nobre seria insistir num tratamento justo para os judeus em qualquer parte do mundo em que eles nascessem ou vivessem. Os judeus nascidos na França são franceses, da mesma forma que os cristãos nascidos na França são franceses.
Se os judeus não têm um lar senão a Palestina, eles apreciariam a idéia de serem forçados a deixar as outras partes do mundo onde estão assentados? Ou eles querem um lar duplo onde possam ficar à vontade?
Este pedido por um lar nacional oferece várias justificativas para a expulsão dos judeus da Alemanha. Mas a perseguição dos alemães aos judeus parece não ter paralelo na História. Os antigos tiranos nunca foram tão loucos quanto Hitler parece ser.
E ele está fazendo isso com zelo religioso. Ele está propondo uma nova religião de exclusivo e militante nacionalismo em nome do qual, qualquer atrocidade se transforma em um ato de humanidade a ser recompensado aqui e no futuro. Os crimes de um homem desorientado e intrépido, estão sendo observados sob o olhar da sua raça, com uma ferocidade inacreditável.
Se houver sempre uma guerra justificável em nome da humanidade, a guerra contra a Alemanha para prevenir a perseguição desumana contra uma raça inteira seria totalmente justificável. Mas eu não acredito em guerra nenhuma. A discussão sobre a conveniência ou inconveniência de uma guerra está, portanto, fora do meu horizonte. Mas se não pode haver guerra contra a Alemanha, mesmo por crimes que estão sendo cometidos contra os judeus, certamente não pode haver aliança com a Alemanha. Como pode haver aliança entre duas nações que clamam por justiça e democracia e uma se declara inimiga da outra? Ou a Inglaterra está se inclinando para uma ditadura armada, e o que isso significa?
A Alemanha está mostrando ao mundo como a violência pode ser eficientemente trabalhada quando não é dissimulada por nenhuma hipocrisia ou fraqueza mascarada de humanitarismo; está mostrando como é hediondo, terrível e assustador quando isso aparece às claras, sem disfarces. Os judeus podem resistir a esta organizada e desavergonhada perseguição? Existe uma maneira de preservar a sua auto-estima e não se sentirem indefesos, abandonados e infelizes? Eu acredito que sim. Ninguém que tenha fé em Deus precisa se sentir indefeso, ou infeliz. O Jeová dos judeus é um Deus mais pessoal que o Deus dos cristãos, muçulmanos ou hindus, embora realmente, em sua essência, Ele seja comum a todos. Mas como os judeus atribuem personalidade a Deus e acreditam que Ele regula cada ação deles, estes não se sentiriam desamparados.
Se eu fosse judeu e tivesse nascido na Alemanha e merecido a minha subsistência lá, eu reivindicaria a Alemanha como o meu lar, do mesmo modo que um "genuíno" alemão o faria, e desafiaria qualquer um a me jogar na masmorra; eu me recusaria a ser expulso ou a sofrer discriminação. E fazendo isso, não deveria esperar por outros judeus me seguindo em uma resistência civil, mas teria confiança que no final estariam compelidos a seguir o meu exemplo.
E agora uma palavra aos judeus na Palestina:
Não tenho dúvidas de que os judeus estão indo pelo caminho errado. A Palestina, na concepção bíblica, não é um tratado geográfico. Ela está em seus corações. Mas se eles devem olhar a Palestina pela geografia como sua pátria mãe, está errado aceitá-la sob a sombra do belicismo britânico. Um ato religioso não pode acontecer com a ajuda da baioneta ou da bomba. Eles poderiam estabelecer-se na Palestina somente pela boa vontade dos palestinos. Eles deveriam procurar convencer o coração palestino. O mesmo Deus que rege o coração árabe, rege o coração judeu. Só assim eles teriam a opinião mundial favorável às suas aspirações religiosas. Há centenas de caminhos para uma solução com os árabes, se descartarem a ajuda da baioneta britânica.
Como está acontecendo, os judeus são responsáveis e cúmplices com outros países, em arruinar um povo que não fez nada de errado com eles.
Eu não estou defendendo as reações dos palestinos. Eu desejaria que tivessem escolhido o caminho da não-violência a resistir ao que eles, corretamente, consideraram como invasão de seu país por estrangeiros. Porém, de acordo com os cânones aceitos de certo e errado, nada pode ser dito contra a resistência árabe face aos esmagadores acontecimentos.
Deixemos os judeus, que clamam serem os Escolhidos por Deus, provar o seu título escolhendo o caminho da não-violência para reclamar a sua posição na Terra. Todos os países são o lar deles, incluindo a Palestina, não por agressão mas por culto ao amor.
Um amigo judeu me mandou um livro chamado A contribuição judaica para a civilização de Cecil Roth. O livro nos dá uma idéia do que os judeus fizeram para enriquecer a literatura, a arte, a música, o drama, a ciência, a medicina, a agricultura etc., no mundo. Determinada a vontade, os judeus podem se recusar a serem tratados como os párias do Ocidente, de serem desprezados ou tratados com condescendência.
Eles podiam chamar a atenção e o respeito do mundo por serem a criação escolhida de Deus, em vez de se afundarem naquela brutalidade sem limites. Eles podiam somar às suas várias contribuições, a contribuição da ação da não-violência.

Mais informações sobre o assunto, podem ser lidas no blog de Alfredo Braga;
http://www.alfredo-braga.pro.br/discussoes/gandhiepalestina.html

Monday, January 12, 2009

Carta ao Bradesco

Acabo de receber uma mensagem interessante digna deste blog... que abre os olhos do internauta em relação ao nosso cotidiano.

Esta carta foi enviada ao Banco Bradesco, porém devido à criatividade com que foi redigida, deveria ser direcionada a todas as instituições financeiras. Tenho que prestar reverência ao brasileiro que, apesar de ser altamente explorado, ainda consegue manter o bom humor.

CARTA ABERTA AO BRADESCO

Senhores Diretores do Bradesco,

Gostaria de saber se os senhores aceitariam pagar uma taxa, uma pequena taxa mensal, pela existência da padaria na esquina de sua rua, ou pela existência do posto de gasolina ou da farmácia ou da feira, ou de qualquer outro desses serviços indispensáveis ao nosso dia-a-dia.

Funcionaria assim: todo mês os senhores, e todos os usuários, pagariam uma pequena taxa para a manutenção dos serviços (padaria, feira, mecânico, costureira, farmácia etc).. Uma taxa que não garantiria nenhum direito extraordinário ao pagante.

Existente apenas para enriquecer os proprietários sob a alegação de que serviria para manter um serviço de alta qualidade.

Por qualquer produto adquirido (um pãozinho, um remédio, uns litros de combustível etc) o usuário pagaria os preços de mercado ou, dependendo do produto, até um pouquinho acima. Que tal?

Pois, ontem saí de seu Banco com a certeza que os senhores concordariam com tais taxas. Por uma questão de equidade e de honestidade.

Minha certeza deriva de um raciocínio simples. Vamos imaginar a seguinte cena: eu vou à padaria para comprar um pãozinho. O padeiro me atende muito gentilmente. Vende o pãozinho. Cobra o embrulhar do pão, assim como, todo e qualquer serviço..

Além disso, me impõe taxas. Uma 'taxa de acesso ao pãozinho', outra 'taxa por guardar pão quentinho' e ainda uma 'taxa de abertura da padaria'. Tudo com muita cordialidade e muito profissionalismo, claro.

Fazendo uma comparação que talvez os padeiros não concordem, foi o que ocorreu comigo em seu Banco.

Financiei um carro. Ou seja, comprei um produto de seu negócio. Os senhores me cobraram preços de mercado. Assim como o padeiro me cobra o preço de mercado pelo pãozinho.

Entretanto, diferentemente do padeiro, os senhores não se satisfazem me cobrando apenas pelo produto que adquiri.

Para ter acesso ao produto de seu negócio, os senhores me cobraram uma 'taxa de abertura de crédito' - equivalente àquela hipotética 'taxa de acesso ao pãozinho', que os senhores certamente achariam um absurdo e se negariam a pagar.

Não satisfeitos, para ter acesso ao pãozinho, digo, ao financiamento, fui obrigado a abrir uma conta corrente em seu Banco.

Para que isso fosse possível, os senhores me cobraram uma 'taxa de abertura de conta'.

Como só é possível fazer negócios com os senhores depois de abrir uma conta, essa 'taxa de abertura de conta' se assemelharia a uma 'taxa de abertura da padaria', pois, só é possível fazer negócios com o padeiro
depois de abrir a padaria.

Antigamente, os empréstimos bancários eram popularmente conhecidos como papagaios'. para liberar o 'papagaio', alguns Gerentes inescrupulosos cobravam um 'por fora', que era devidamente embolsado.

Fiquei com a impressão que o Banco resolveu se antecipar aos gerentes inescrupulosos.

Agora ao invés de um 'por fora' temos muitos 'por dentro'.
- Tirei um extrato de minha conta - um único extrato no mês - os senhores me cobraram uma taxa de R$ 5,00.
- Olhando o extrato, descobri uma outra taxa de R$ 7,90 'para a
manutenção da conta' semelhante àquela 'taxa pela existência da padaria na esquina da rua'.
- A surpresa não acabou: descobri outra taxa de R$ 22,00 a cada trimestre - uma taxa para manter um limite especial que não me dá nenhum direito. Se eu utilizar o limite especial vou pagar os juros (preços) mais altos do mundo.
- Semelhante àquela 'taxa por guardar o pão quentinho'.
- Mas, os senhores são insaciáveis. A gentil funcionária que me atendeu, me entregou um caderninho onde sou informado que me cobrarão taxas por toda e qualquer movimentação que eu fizer.

Cordialmente, retribuindo tanta gentileza, gostaria de alertar que os senhores esqueceram de me cobrar o ar que respirei enquanto estive nas instalações de seu Banco.

Por favor, me esclareçam uma dúvida: até agora não sei se comprei um financiamento ou se vendi a alma?

Depois que eu pagar as taxas correspondentes, talvez os senhores me respondam informando, muito cordial e profissionalmente, que um serviço bancário é muito diferente de uma padaria. Que sua responsabilidade é muito grande, que existem inúmeras exigências governamentais, que os riscos do negócio são muito elevados etc e tal. E, ademais, tudo o que estão cobrando está devidamente coberto por lei, regulamentado e autorizado pelo Banco Central.

Sei disso. Como sei, também, que existem seguros e garantias legais que protegem seu negócio de todo e qualquer risco.

Presumo que os riscos de uma padaria, que não conta com o poder de influência dos senhores, talvez sejam muito mais elevados..

Sei que são legais. Mas, também sei que são imorais. Por mais que estejam garantidas em lei, voces concordam o quanto são abusivas!?!

VAMOS VER SE MEXE COM A CABEÇA DE QUEM FEZ ESSAS LEIS PARA PENSAREM O QUANTO ESTÃO ERRADOS!!!


Autor Desconhecido.

Saturday, January 10, 2009

Pé na Estrada...



Muitos foram os lugares que passei...
...mas muitas foram as mensagens que guardei...


Guardo comigo imagens marcantes,
Levo comigo testemunhos calados,
Escuto ainda conselhos amigos,
Vejo ainda o que Deus quis,
Engulo ainda o que eu não quis dizer,
Sinto ainda o vento bater,
Sigo caminhando em pastagens verdejantes,
As águas ainda me refrescam e conduzem minha alma,
Se estou no caminho certo... não sei....,
mas sei que por muitos lugares passei.


"Pé na Estrada", Andrea Annunziata - Janeiro de 2009

p.s. Muitas coisas eu vi na viajem que fiz e muitas coisas me marcaram. Na última mensagem de fim de ano "E Se"... aconselhei à todos à desfrutarem de cada minuto com aqueles que vocês amam. A vida mais uma vez me provou que é exatamente isso que devo fazer. Não sei ao certo se vou escrever quase todos os dias, como fiz em 2008. Vou talvez escrever menos, pois vou seguir meu próprio conselho. Sempre que eu puder estarei aqui... dividindo com o mundo o que acho interessante, sem perder de vista meus desabafos ocasionais.
p.s.2 Por uma das estradas que passei anotei uma frase de uma kombi, que me chamou a atenção: "A força da sua inveja é a velocidade do meu sucesso". Gostei particularmente dessa frase, pois é incrível como existem tantas pessoas que acumulam energia invejando o que os outros tem.... o segredo é investir cada minuto em si mesmo, colher seus próprios frutos, e administrá-los com carinho e dedicação... dessa forma não existe espaço para inveja.
p.s.3 Nessa semana vou tentar dividir com vocês algumas imagens e ditos dessa viajem tão especial...

Tuesday, December 23, 2008

............



E se eu pudesse voltar atrás...
Mudaria todos meus passos...
Saberia aonde pisar...
Saberia exatamente como agir em cada circunstância...
Saberia em quem confiar...
Saberia escolher melhor meus parceiros...
Saberia usufruir melhor dos bons momentos...
Viveria plenamente...
Amaria loucamente...


Tanta coisa que a gente deixa de fazer...

Mas o passado é o nosso guia para o presente...
O presente é o livro de nossas vidas...
Um tesouro indispensável para as boas escolhas do futuro...
Aprenda com seus erros...
E seja feliz... por saber que todos os dias o sol nos ilumina...
E nos dá novas chances de atingir felicidade plena...

Muita Luz em 2009 e desfrutem de cada momento com aqueles que vocês amam!

O Fala Annunziata agradece o carinho e a atenção de cada um de vocês...

Com muito amor,
Andrea Annunziata

Outros Repertórios

Nem só de Lullabies meu repertório é feito... divido com vocês, algo um pouco mais ousado.

p.s. Mesmo assim, acredito que Lullabies é uma produção inesquecível e com grande propósito.

Outros Repertórios # 2

Lullabies

É com um imenso carinho que convido à todos a conhecerem este lindo projeto... que começou à 4 anos atrás, na busca de proporcionar um mundo melhor, para meus filhos e para todos aqueles que nunca desistiram de sonhar.

Os CD's estão disponíveis em todas as livrarias Da Vila (Shopping Cidade Jardim, Al. Lorena, R. Fradique Coutinho), na Laselva Bookstore (no Panamby Open Mall) e algumas escolinhas infantis. O preço de venda é R$ 12,00 por unidade, e fora do país será comercializado por US$ 10 por unidade.

Mais uma vez agradeço à todos que estiveram do meu lado no dia do lançamento. Como já disse a presença de cada um de vocês foi muito importante para mim. Fico muito feliz que eu estarei cantando para seus filhos, sobrinhos, netos e bisnetos dormirem. Essa é uma experiência que não tem preço. E de pensar que muitos estarão cantando as músicas compostas por mim, me enche os olhos de lágrimas. Fico feliz também que muitos adultos tenham se tranqüilizado com as canções, e desta forma, as melodias serão incorporadas por todas as faixas etárias. Não tenho palavras para o que estou deixando tanto para as crianças... como para os adultos.

Mil beijos,
Andrea



p.s. O CD foi gravado no Estúdio Lounge de Tony Oliveira, e tivemos a participação especial da minha querida amiga Anita Deixler no violão, e todos os arranjos musicais foram elaborados pelo talentoso Beto Nascimento, um grande amigo também! Tive o privilégio de trabalhar com uma equipe maravilhosa! Muitos beijos para vocês!!!

Sunday, December 21, 2008

A minha próxima vida...

"A minha próxima vida"
por Woody Allen

Na minha próxima vida quero vivê-la de trás pra frente. Começar morto para despachar logo esse assunto. Depois acordar num lar de idosos e ir me sentindo melhor a cada dia que passa. Ser expulso porque estou demasiado saudável, ir receber a aposentadoria e começar a trabalhar, recebendo logo um relógio de ouro no primeiro dia. Trabalhar por 40 anos, cada vez mais desenvolto e saudável até ser jovem o suficiente para entrar na faculdade, embebedar-me diariamente e ser bastante promíscuo, e depois estar pronto para o secundário e para o primário, antes de virar criança e só brincar, sem responsabilidades. Aí viro um bebê inocente até nascer. Por fim, passo 9 meses flutuando num spa de luxo com aquecimento central, serviço de quarto a disposição e espaço maior dia a dia, e depois - Voilà! - desapareço num orgasmo.

Wednesday, December 17, 2008

Sermão de Sábio

O sermão do padre durante o casamento
por Mario Quintana

Neste texto o poeta expressou o que achava do sermão dos padres durante o casamento.

Promete ser fiel na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, amando-lhe e respeitando-lhe até que a morte os separe?

Acho simplista e um pouco fora da realidade. Dou aqui novas sugestões de sermões:

"Promete não deixar a paixão fazer de você uma pessoa controladora, e sim respeitar a individualidade do seu amado, lembrando sempre que ele não pertence a você e que está ao seu lado por livre e espontânea vontade?

Promete saber ser amiga(o) e ser amante, sabendo exatamente quando devem entrar em cena uma e outra, sem que isso lhe transforme numa pessoa de dupla identidade ou numa pessoa menos romântica?

Promete fazer da passagem dos anos uma via de amadurecimento e não uma via de cobranças por sonhos idealizados que não chegaram a se concretizar?

Promete sentir prazer de estar com a pessoa que você escolheu e ser feliz ao lado dela pelo simples fato de ela ser a pessoa que melhor conhece você e portanto a mais bem preparada para lhe ajudar, assim como você a ela?

Promete se deixar conhecer?

Promete que seguirá sendo uma pessoa gentil, carinhosa e educada, que não usará a rotina como desculpa para sua falta de humor?

Promete que fará sexo sem pudores, que fará filhos por amor e por vontade, e não porque é o que esperam de você, e que os educará para serem independentes e bem informados sobre a realidade que os aguarda?

Promete que não falará mal da pessoa com quem casou só para arrancar risadas dos outros?

Promete que a palavra liberdade seguirá tendo a importância que sempre teve na sua vida, que voce saberá responsablizar-se por si mesmo sem ficar escravizado pelo outro e que saberá lidar com sua própria solidão, que casamento algum elimina?

Promete que será tão você mesmo quanto era minutos antes de entrar na igreja?

Sendo assim, declaro-os muito mais que marido e mulher.

Declaro-os maduros!"